logo
Ver post

O SEGUNDO ENCONTRO DE SWING (2)

Depois de um primeiro encontro falhado com um casal, em que fomos enganados, quer na idade quer na operacionalidade sexual do membro masculino, continuámos a procurar, percorrendo as dezenas e dezenas de páginas e centenas de perfis no site de encontros de swing à qual tínhamos aderido em Novembro, último. Depressa chegámos ao final sem que dali viesse uma luz de esperança. Para tornar a nosso “Nick” mais interessante, inserimos algumas fotos de nus. Durante uns dias foi um forrobodó de contactos. Enquanto a novidade e o cheiro a carne fresca durou, teclámos com pares sem fim à vista. Apesar de termos salientado que não queríamos singles, fomos constantemente bombardeados por homens a propor encontros.

Através do computador, fomos travando conhecimento e, pelas longas conversas, muitas vezes acreditámos que era aquele casal o “tal”, o que, pelos gostos comuns, procurávamos no universo internético. Tentávamos falar com a esposa, mas a senhora ora estava a descansar, ora estava a cuidar da filhinha, ora estava arrumar a cozinha, ora tinha ido a casa da mãe. Até que, inevitavelmente, a máscara caía e a pseudo-verdade se desfazia em mil cacos de mentira.

As “estorinhas”, até aqui, foram muitas e para todos os gostos. Apesar da nossa pouca experiência, como um “caso de estudo”, todas juntas davam para escrever um livro. Só para exemplificar uma das melhores, Durante várias semanas, sem nunca abrir a câmara, teclei com um homem (?) quase todos os dias. Para além de escrever bem, era saliente a sua vasta cultura e conhecimento de tudo o que se relaccionava com as grandes questões do mundo. Como gosto de escrever, abordámos diariamente temas diversificados em que a política não poderia faltar. Até que um belo dia lhe perguntei porque estavam no swing. Contou-me que a razão maior residia no facto de a sua esposa, durante o período da menopausa, ter apanhado uma depressão profunda. Por tal razão, fosse por isso ou outra coisa qualquer, tinha perdido o interesse no sexo com ele, marido, e as relações eram tudo menos satisfatórias para os dois. Assim sendo, a intenção por parte do dele residia no facto de, através de outro casal e mais particularmente o homem, tentar recuperar o desejo da mulher para os prazeres carnais. Achámos a descrição digna de pena e tocou-nos a sensibilidade. Quase emocionados, do outro lado do ecrã, prometemos fazer tudo para que a “enferma” recuperasse a líbido e a tesão perdida. Quando perguntávamos se mulher estava junto dele para podermos trocar números de telefone e falar com ela, as respostas dele, invariavelmente, eram sempre iguais: tinha vindo do trabalho muito cansada e já estava na cama. Era funcionária pública. Fomos conversando até que um belo dia atirou: “gostávamos de visitar um clube de swing. Nunca fomos. Mas temos um problema, aliás dois, o primeiro já vocês conhecem -referia a frigidez. O segundo, não temos “pilim”. Como? Interroguei? E prosseguiu, “não temos “cheta”, “monet”, dinheiro”. Estupefacto, ainda atirei: meu caro, para irem a um clube aqui da zona gastam trinta euros. Não tens 30 euros? Perguntei outra vez. “Não. Estamos tesos!” -escreveu friamente. Por momentos, tendo em conta o caso de frigidez da companheira, ainda me passou pela cabeça dizer-lhe que lhe adiantava a verba e depois me pagaria. Mas, no pensamento seguinte de análise, coloquei de lado a concessão de crédito. A minha convicção dizia-me que ali havia coisa. E terminei com a frase: que quando tivesse possibilidades nos contactasse que iríamos todos juntos visitar o espaço de encontros. Nunca mais nos contactou.

Posteriormente, conhecemos outro casal, alegadamente, dentro do nosso escalão etário. Fomos jantar e a conversa franca fluiu. Eram gente decente, limpa e bem-apessoada. Informaram-nos que já tinham alguma experiência com casais. Por nós, desde que respeitassem o nosso tempo de adaptação, não haveria problema, acertámos. Combinámos marcar um segundo encontro para iniciarmos as brincadeiras passadas poucas semanas. E aconteceu. Fomos jantar e depois de conversar sobre questões da vida, dos filhos, da economia, da religião, fomos então para casa deles. Era uma casa modesta mas muito limpa. Impressionou-nos o cheirinho a lavadinho -a minha mulher não pode com cheiros a odores pestilentos. Antes de começarmos a mulher foi buscar umas toalhitas de papel perfumado para cada vez que nos tocássemos podermos limpar as mãos. Em cima da mesa estavam uns bolinhos, licores, vinho para nos acompanhar naquela celebração ao corpo humano. Estabelecemos as regras a seguir de acordo com as mulheres e iniciámos as festividades. Reparámos que a mulher era toda “pra frente”, toda entesoada. Disse-nos que quando transava gostava de estar separada do marido. Ou seja, ele num quarto e ela noutro, Dissemos que isso não faríamos. A nossa forma de estar implicava sempre estarmos todos juntos. Apesar disso, a mulher anuiu. Já o marido, em contraste, era uma mosca-morta. Parecia um cavalo cansado depois de um longo trote. A minha mulher, apesar da pouquíssima experiência, ficou impressionada pela apatia demonstrada na falta de vontade dele. Apesar disso, ela desempenhou muito bem a sua parte. Fiquei impressionado pela sua performance. Eu, na parte que me cabia, sem tentar abusar da minha posição, enquanto homem, e sempre com o olho na minha esposa a ver se ela não sentia ciúme, apalpei o que podia. Foi tudo feito sem grandes alardes. Pareceu-nos, ali estavam quatro pessoas não somente para foder porque andassem esfomeados de sexo. Pelo contrário, o que se procurava era a sensualidade, a exaltação da envolvência de quatro corpos nus, em partilha de respeito, e a exploração de sentimentos que desconhecíamos. No fim, em balanço, com elogios de parte-a-parte, a amizade parecia estar a ficar consolidada. Ficámos convictos que estava ali o “nosso” casal. O tempo foi passando, volta e meia eles telefonam-nos, outras vezes somos nós. No princípio ainda perguntávamos quando é que nos encontrávamos, mas do outro lado, as respostas eram vagas e evasivas. Até que deixámos de insistir em novos encontros. Agora são eles que, volta e meia, nos ligam a saber se estamos bons, mas, estranhamente, não falam de passarmos ao terceiro encontro. O que se teria passado?

(EPISÓDIO REAL)

Casalamorperfeito 31.07.2017 8
Comentários
Filtrar: 
Resultados
 
  •  libertino: 
     
    Já lá uns anos desta vida e já no início nós ouvíamos dizer que estava a começar uma fase de degradação no swing em Portugal...
    Infelizmente vocês têm duas (belas) respostas disso mesmo!
    Desejamos-lhes melhor sorte para o futuro porque acreditem que há bons casais. Não se encontra é facilmente...
     
     06.11.2017 
    0 pontos
     
  •  InesePedro: 
     
    Apreciação mordaz da realidade que por aqui (salvo boas excepções) se vive.
     
     11.09.2017 
    0 pontos
     
  •  lusthn: 
     
    ...acabamos por seguir um caminho que não era o pretendido, e em vez de encontros a 4 lá vamos a um clube de swing 2/3 vezes ao ano respirar a atmosfera e estarmos os dois :-)
     
     11.09.2017 
    0 pontos
     
  •  valkyria: 
     
    Aqui a uma pesoa que registar perfil como casal e depois tretas, so pede fotos
     
     11.09.2017 
    0 pontos
     
  •  regipraia: 
     
    O que se percebe aqui nesse site, é que a maioria dos perfis são "fakes". Você conversa, troca conversas pelo whatssapp e quando tenta marcar um encontro, os casais sempre estão viajando, tem compromissos, doença na família e outras desculpas diversas.
    Uma pena.
     
     11.09.2017 
    0 pontos
     
1
Informação
flag Casalamorperfeito

Coimbra

 59  59
31.07.2017 (138 dias atrás)
Votar
1 Votos
Acções
Categorias
Entertainment Blogs (2 posts)
Tags