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Bebem o quê?

Aproximei-me do bar. Pedi, timidamente, um copo de sexo fácil. Estava com medo que a cara da miúda desenhasse uma placa de perigo, com luzes a vermelho “não acha que ainda é muito cedo para beber?” Afinal, nada. Acho que sou eu que, com a idade a passar me estou a transformar num antiquado. E porque não? Sexo fácil, pronto. Um “shot” e ficamos porreiros. Claro que é o tipo de coisa que não convém abusar. Pode viciar e pior, pode fazer com que, muito rapidamente se perca o interesse: é só aquilo, uma coisa rápida, que queima a garganta, pode aquecer, pode até bater e deixar-nos lá em cima durantes uns minutos, quem sabe umas horas, mas depois mais nada (quanto muito uma leve recordação de um prazer momentâneo).

Voltei à mesa. “Que querem beber?...” Já se sabe, quatro cabeças, quatro sentenças. “Eu gostava de uma canzana, enquanto me chupam os mamilos!”, disse logo ele sem ponta de cavalheirismo e cheio de sede. Elas: “eu gostava de um bom minete, enquanto chupo um caralho”; “e eu hoje quero tudo, um bom minete e uma DP”. Está tudo com ideias. Ainda saímos daqui de gatas e a gritar por um táxi. Sim, porque não esperem eles que eu levo o carro! Também gosto muito de me divertir e vim aqui para quê, afinal? Já estou como uma delas, quero tudo… Ainda estava eu a tomar nota mental do que iria beber quando as meninas, como só elas o sabem fazer, de sorriso matreiro: “e não trazes também uns quantos beijos a três para nós? E já agora, ainda vai ser hoje que vamos experimentar uns shots abaixo do umbigo…Trazes copos?” Fonix! O que eu quero é ver-vos felizes. A vossa felicidade é orgásmica!
A noite foi muito boa. Quase com vontade de repetir no dia a seguir. Mas não há nada como aquele copo, em casa, antes de dormir. “Vamos beber um “Esporão branco”, gelado?” pergunto. Ela só acena com a cabeça. Copos de pé alto, finos. Poder olhar os olhos do outro bocado de nós, que nos olha e ri, sem dizer nada. Deixar os nossos lábios abraçar o bordo do copo e que o vinho escorregue por nós a dentro, agasalhando-nos. E mesmo depois deste tempo todo poder sentir umas borboletazinhas no estomago, naquele momento exacto, em que os dois deixam cair na mesa o copo a meio. Aquecemos os lábios um do outro, num do outro. O resto da bebida sobe logo a seguir. Os nossos olhos não se largam e falamos com o sorriso cúmplice que já conhecemos. A parte final vem rapidamente, numa confusão de delícia, com “podia demorar mais uma eternidade, raios”, com “é tão bom que não sei como não acabou antes”, com “parece que te conheci ainda agora”, com “como te adoro”. Claro que, neste momentos, nunca sabemos se somos nós se é o álcool a falar. Sempre o dizemos noutras alturas, sem álcool… Sem enrolar a língua, é certo.

anjos_azuis 21.03.2013 1
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Amarante

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21.03.2013 (2219 dias atrás)
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