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Conversas

Gostamos de espreitar à janela e ver os dentes que agarram um bocado de pele. Ele gosta de sentir a pele que se aquece ao toque dos dentes. Ela gosta de sentir nos dentes a pele que se enrijece.
Isto das janelas que se abrem tem tanto que se lhe diga… queria dizer, que se escreva! Cada um vê o que quer, ou o que sente. E aqui (como também no mundo dos anjos), elas vêm muito mais à frente, muito mais longe.
As janelas não servem só para se espreitar. Não que nós o façamos!... Muitas vezes, pelo menos. Juramos a pés juntos! Nós não iríamos espreitar outros corpos nus, ou seminus… Nós estamos neste sítio para vermos os nossos corpos nus!
O que há são momentos em que outras janelas nos entram pelos olhos dentro… Muitas vezes amaldiçoamos o tempo que perdemos a carregar num botão que nos levou até ali… Outros, em que agradecemos aos anjinhos! Claro que, nestes casos, ficamos mais um pouquinho e tentamos ver o mais possível por entre a cortina. E como pode ser tão apetitoso o bocadinho que se vê que, pode acontecer querer bater à porta: “desculpem, somos da judiciária. Queremos leva-los até um motel para interrogatório. A srª drª juíza desconfia que sejam tão interessantes nus virtualmente como vestidos ao vivo… agora, nus, temos de tirar isso a limpo”. Há os casos em que, depois da porta aberta e de um tempo de silêncio para ouvir o que sai daquelas boquinhas, da minha sai: “boa noite, vínhamos entregar as pizzas que encomendaram. Como não tínhamos a certeza que seria aqui deixamo-las no carro, para que não arrefecessem. Vamos busca-las. Adeus!” Não é com orgulho que escrevemos isto. E sabemos que há avisos que não deveríamos descorar (depilação mal feita à espreita em cuequinhas cor-de-rosa com sutiã preto; escrever que “Massive Attack” é um vídeo jogo; fotografias pseudo-sexys embrulhadas em roupas e lenços de papel espalhados no chão), mas a curiosidade, essa que mata os gatos, por vezes também prega partida aos anjos.
Espreitar a janela deixa-nos pintar um retracto. Mas as palavras, que para nós não deverão ser ocas, leva-nos a imaginar uma boa companhia ao som de uma “Erdinger” no “Bonaparte”, no Porto. As palavras, aquelas que abrem portas, e um bom retracto, são o que nos desenham a vontade de descobrir as caras e caretas. Depois de juntar imagens e letras em puzzles eróticos, juntamos as peças e, numa noite de astros em linha, podemos assanhar as asas, agarra-los e voar. Podemos despi-los, vesti-los, obriga-los a despirem-nos e tentar adivinhar que tipos de impropérios dirão excitados.
Acontece o dia, enchemos o peito e rezamos para que sejam o que desenhamos. Chegamos à conclusão que - uns por não saberem o que é conversa, outros por estarem fartos de conversa, ou por não terem a conversa resolvida entre eles, por acharem que não há bom sexo com conversa, ou porque não gostam (simplesmente) de conversa - as palavras podem ser uma disfunção eréctil swinger. E, acreditem, nós até adoramos uma boa queca sem muita conversa. Na verdade gostamos de quase todas as boas quecas. Mas avisamos que o nosso dia para esse tipo de coisas é à quinta: entramos mudos no quarto, despimo-nos com o mínimo barulho possível, fodemos sem suspiros, sem guinchos, sem ordinarices, quase sem respirar! Como é algo que não nos dá grande pica, pensamos passar de loucura semanal para quinzenal.
Não queremos ser fundamentalistas, mas confessamos que num qualquer bacanal, num qualquer club (pode acontecer em qualquer um) as palavras - “ó mor, o teu galho é salgado, deu-me sede, F%&#$; bou buber um traçado, queres te bir cumigo?” – barram a corrente sanguínea que ajuda a deixar o membro apto…  Não somos idealistas em exagero: mesmo a quatro, a conversa, para se descobrir um pouco mais do que as linhas que queremos apalpar, ficam bem melhor num jantar; ficam bem num café para se acharem outros pontos de vista; e até num bar podemos deixar que a honestidade de um riso, a electricidade de um toque, a sensualidade de um engasgo, o calor de um acenar de cabeça, a boa disposição de qualquer coisa que deveria ser uma dança nos diga quem pode estar ali. Mas num quarto de hotel não há muitas mais palavras que fujam do “fode-me com força” e mesmo nos momentos de descanso só queremos ouvir “ e se fizéssemos isto a seguir?”, ou contamos uma anedota porca só para desanuviar… bem, isto talvez não!
Para chegar aqui queremos debater como decalcar as linhas que nos prometem, queremos sorrisos malandros, algum bom gosto picante, alguns olhares comprometidos em código-morse, alguma conversa.

anjos_azuis 04.06.2013 3
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  •  CasalSimplex: 
     
    Uma simples conversa pode ser um bom "afrodisíaco", mas, há olhares que dispensam quaisquer conversas
     
     12.12.2017 
    0 points
     
  •  Ana_Miguel: 
     
    Um belo convite para beber um copo......os meninos acompanham-nos num copo com companhia?
     
     04.06.20131 replies1 replies 
    0 points
     
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flag anjos_azuis

Amarante

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04.06.2013 (2152 days ago)
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